quinta-feira, 21 de julho de 2016

BÚZIOS - A LINGUAGEM DOS ORIXÁS (Ademir Barbosa Júnior)



Este livro não ensina a jogar búzios. Faz uma apresentação do que sejam os búzios, os Odus, Os Orixás mais diretamente ligados a esse sistema oracular e outras tantas informações. Serve como referência para que o leitor conheça um pouco mais a respeito do tema e tenha critérios para selecionar as pessoas de sua confiança para jogar e interpretar. Também proporciona ao leitor a oportunidade de meditar e aprofundar-se no autoconhecimento a partir do conhecimento básico dos principais caminhos (Odus).

Infelizmente proliferam nos postes das cidades, na internet, em revistas e outras mídias informações equivocadas a respeito das religiões de matriz africana e, consequentemente, sobre o jogo de búzios, com promessas absurdas que ferem o livre-arbítrio, a inteligência, a ação da Espiritualidade e a paciência do bom Deus (Fonte Primeira).

Conforme sustenta Albert Cousté, “o oráculo é mutável, assim como os homens que o interrogam.” Aceitação rima com humildade, não com humilhação. Alguém, por exemplo, por meio dos búzios, pode compreender que os caminhos estão fechados para a área profissional. Então deixará de procurar emprego ou buscará equilibrar as energias, observará aspectos cármicos e/ou familiares etc., de modo a ter sucesso nessa área? 

O próprio conceito de carma, de modo geral, é compreendido equivocadamente como destino, e não como lições e aprendizados, positivos ou negativos. Conta-se que um homem bastante generoso e equilibrado perdeu o dedo mínimo direito numa serra. Indignado, procurou a Espiritualidade, que lhe informou: “Meu irmão, em seu planejamento reencarnatório constava que o irmão deveria perder um braço, em acidente semelhante. Contudo, por sua postura, esse planejamento alterou-se para apenas um dedo.” O homem compreendeu a lição e sentiu-se agradecido. Pela mesma linha de raciocínio se alguém, por exemplo, nasce sem a mão direita, poderá fazer tudo com a esquerda, implementar uma prótese ou submeter-se a um transplante de mão, prática que, cada vez mais, se popularizará. Ou poderá sofrer e reclamar a vida toda.

Recordo amorosamente a figura de um irmão, bispo anglicano com muitos anos de Santo, como dizemos comumente, e mão de jogo, que sempre quis me iniciar no jogo de búzios, respeitando a hierarquia, inclusive terrena, sobre minha cabeça. Não conseguimos concretizar esse projeto. Numa de nossas conversas, ele compartilhou comigo o Orin Opé:

Mo Sun Layó
Mo Ji Layó
Mo Fogo Folorun
Mo Ji Layó
Babá MoDupé Ó

Eu durmo com alegria
Eu acordo com alegria
Eu glorifico (o dia) para Olorum
Eu acordo feliz
Pai, eu te agradeço

Até onde sei esse irmão sempre viveu as duas religiões, os dois cultos, não de maneira esquizofrênica, mas dialógica, complementar. Se alguém achar estranho, peço que abra amorosamente o coração para ao menos compreender a realidade do outro. Se alguém realmente não gostar, vá se queixar ao bispo!

Por: Ademir Barbosa Júnior

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