sexta-feira, 15 de julho de 2016

O LIVRO ESSENCIAL DE UMBANDA (Ademir Barbosa Júnior)



“O Livro Essencial de Umbanda” (São Paulo: Universo dos Livros, 2014, 328 pp.) tem como objetivo apresentar um mosaico sobre a Umbanda, respeitando sua pluralidade e diversidade. Não se trata de um manual ou de um livro sobre Teologia. Também não pretende chancelar os fundamentos desta ou daquela casa ou conjunto de casas. Na Umbanda, há variações de ordem teológica, no tocante à liturgia, a fundamentos específicos, modos de organização, vestuários, cores etc. Conforme ensina o Caboclo Pena Branca, “ser espiritualizado é aprender a conviver com as diferenças e a ingratidão”. Particularmente creio que diferenças não precisam ser divergências. 

Conhecida nos meios esotéricos como a Senhora da Luz Velada, a Umbanda se revela à compreensão humana, pouco a pouco, de modo a acolher e agregar todos aqueles que desejem abrigar-se e/ou trabalhar sob sua bandeira sincrética e, portanto, ecumênica.

Na Umbanda não se faz nada que fira o livre-arbítrio, assim como na Espiritualidade nada acontece que fira as Leis Divinas, cujos pressupostos conhecemos apenas palidamente. Conforme um lindo ponto cantado, “na minha aldeia/lá na Jurema/ninguém faz nada sem ordem suprema”. 

A Umbanda é uma religião inclusiva, acolhendo a todos, no plano astral e no plano físico, indistintamente. Todos os que desejem engrossar suas fileiras de serviço ao próximo concomitante ao auto aperfeiçoamento são bem-vindos. Não há distinção de cor, classe social, orientação sexual e/ou de gênero etc.

As portas estão sempre abertas a todos que desejem frequentar as giras, os tratamentos espirituais, as festas, contudo a Umbanda não faz proselitismo e a decisão de se tornar umbandista e filiar-se a determinada casa é pessoal e atende também à identificação ou não dos Orixás com a casa em questão.

Tanto para entrar como para sair as portas estão abertas. Se algum desequilíbrio ocorre com o médium, em especial se resolve deixar a casa, certamente não é “castigo” do Orixá, mas porque está com a coroa aberta. Imagine-se um rádio mal sintonizado, captando sons confusos, às vezes até mesmo incompreensíveis. Quando se trabalha responsavelmente com energias, o que se abre se fecha. Dessa forma, se alguém decide encerrar suas atividades como médium (de qualquer categoria), é necessário e mais prudente não desaparecer do terreiro, mas pedir que o dirigente espiritual “retire a mão”, como se diz comumente. 

Cuidar do Ori (da cabeça) de alguém é uma grande responsabilidade. A fim de não haver choques energéticos, o médium deve ser disciplinado, não “pular de casa em casa” e, também em caso de falecimento do/da dirigente espiritual, buscar auxílio seguro com quem possa assumir os cuidados de sua cabeça. 

Por vários métodos seguros que se completam um médium conhece seus Orixás, Guias e Guardiões. Em uma casa de Umbanda (há quem tenha mediunidade ostensiva, mas nunca chegue a um templo umbandista), por exemplo, pela orientação e supervisão seguras do Guia da casa; pelos pontos riscados pelas Entidades quando o médium incorpora; pela terceira visão (acompanhada pelo Guia da casa) e, sobretudo, pelo jogo de búzios feito pelo dirigente espiritual ou pelo próprio Guia da casa onde essa prática é comum.

Infelizmente, a diversidade de fundamentos (circula nas redes sociais uma campanha extremamente saudável com o slogan “Respeite a Umbanda que seu irmão cultua!”) por vezes é confundida com irresponsabilidade. Promessas de amarração e de se trazer o amor de volta (querendo ele ou não), mistificações diversas, animismo de médiuns indisciplinados e outras situações gravíssimas acirram o desconhecimento e o preconceito contra a Umbanda e as religiões de matriz africana como um todo.

Pelo fato de ter nascido em solo brasileiro e ser caracteristicamente sincrética, a Umbanda é chamada de religião genuinamente brasileira. Obviamente não é a única religião a nascer no Brasil. O próprio Candomblé, tal qual o conhecemos, nasceu no Brasil, e não em África, uma vez que naquele continente o culto aos Orixás era segmentado por regiões (cada região e, portanto, famílias/clãs cultuavam determinado Orixá ou apenas alguns). No Brasil os Orixás tiveram seus cultos reunidos em terreiros, com variações, evidentemente, assim como com interpenetrações teológicas e litúrgicas das diversas nações. Há outras religiões que nasceram em solo brasileiro, como por exemplo, mais recentemente, o Vale do Amanhecer, que também cultua a seu modo Orixás, Pretos Velhos e Caboclos.

Orixá é Amor Verdadeiro, e Amor Verdadeiro nunca faz mal.

Orixás, Guias e Guardiões caminham conosco na expectativa de que nós também caminhemos com eles.

Por: Ademir Barbosa Júnior

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