segunda-feira, 18 de julho de 2016

POR QUE RIEM OS ERÊS E GARGALHAM OS EXUS? (Ademir Barbosa Júnior)



Há diversos livros sobre Espiritualidade e bom humor em diversos segmentos religiosos ou espiritualistas. Este livro é uma pequena contribuição para o riso consciente, saboroso, e não para o bullying ou para se apontar o dedo. O objetivo é rir com, e não rir de. 

Em várias narrativas aparece o personagem Bocão, primo-irmão de Maria Eudóxia, personagem de meus livros “A Bandeira de Oxalá” (São Paulo: Nova Senda, 2013) e “O caminho da pedras – romance umbandista” (São Paulo: Anúbis, 2015). Sempre alerto nos bate-papo com leitores, que não se deve procurar quem é a Eudóxia (agora, o Bocão) em seu templo religioso, mas se observar para não ser a Maria Eudóxia (ou o Bocão) para os outros.

O humor é um ótimo caminho espiritual para quem, como eu, quando teve uma breve passagem pelo Candomblé, recebeu o nome iniciático (orunkó, no Ketu; dijina, no Angola) de Obasiré (lê-se “Obaxirê”), isto é, “o rei da brincadeira” ou “o rei da festa”, em virtude das molecagens que eu fazia no ilê. 

Em tempo, além de motivados pela alegria, os Erês riem também para descarregar os médiuns, tranquilizar e suavizar os que falam com ele, harmonizar o ambiente etc. Já os Exus e Pombogiras gargalham também não apenas por alegria. Suas gostosas gargalhadas são também potentes mantras desagregadores de energias deletérias, emitidos com o intuito de equilibrar especialmente pessoas e ambientes.

Se rir é o melhor remédio, que este livro colabore para a cura das pequenas e grandes dores de cada leitor.

Axé! 

Trechos do livro:

DEFUMAÇÃO

O menino de 05 anos dizia à mãe, nos dias de inverno, antes de a família ir para a gira:
“Não precisa de banho, mãe, tem defumação...”
(p. 53)

SABEDORIA

A ebômi dizia às iaôs:
“Apontar o dedo? Só se for para mostrar o caminho...”
E, sem perceber, enfiava o dedo no nariz.
(p. 56)

AMARRAÇÃO (1)

O dirigente espiritual sempre explicava em palestras que as religiões de matriz africana não fazem amarração, pois isso fere o livre-arbítrio. Um dia, um homem o parou na rua e perguntou se era possível fazer um trabalho (2) para uma moça gostar dele. O filho adolescente do dirigente espiritual, antes que o pai falasse, impaciente, respondeu:
“Moço, não tem jeito não. O senhor é muito feio... Não há Santo que consiga...”
(p. 59)

NOTAS
(1) Prática não condizente com as religiões de matriz africana, que forçaria alguém a permanecer emocionalmente atado a outrem mesmo que sem vontade própria, ferindo-se, assim, o livre-arbítrio.
(2) No caso, oferenda ritual com fins negativos, portanto, não condizente com as religiões de matriz africana.

Por: Ademir Barbosa Júnior

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