domingo, 11 de setembro de 2016

A MAGIA DE SÃO COSME E SÃO DAMIÃO (Evandro Mendonça)




Muito pouco se sabe sobre a vida de São Cosme e São Damião. Além de irmãos gêmeos, tiveram um irmão mais, Doum. Tinham um altíssimo conhecimento sobre o poder de cura, da carne e do espírito, e por causa da sua humildade, inocência e simplicidade, eles foram associados a todas as crianças. Algumas lendas, histórias e relatos contam que São Cosme e São Damião passavam dias e noites dedicados à cura tanto de pessoas como animais, sem nada cobrar e por esse motivo foram sincretizados como “santos dos pobres” e também considerados padroeiros dos médicos. Por causa da sua fé inabalável, foram perseguidos e mortos (decapitados) e enterrados lado a lado. A lenda diz que eles foram perseguidos por vários soldados que lhes atiraram flechas, e que as mesmas flechas voltaram e feriram os próprios arqueiros. Por todo esse sofrimento, humildade, amor, fé e por possuírem muita luz, são hoje santos católicos, que também se introduziram nas sete Linhas de Umbanda sincretizados como: Cosmes, Erês, Ibejís, dando assim continuidade aos seus trabalhos em espírito, não só na religião católica como também na Umbanda. Não esquecendo seu irmão mais novo chamado Doum, que junto fez parte de todas as suas trajetórias.Essas crianças, além de não serem muito conhecidas pelos próprios médiuns que as incorporam, infelizmente se encontram bastantes esquecidas nos terreiros de Umbanda, sendo lembradas somente no dia de Cosme e Damião, que é sua data comemorativa. Quero salientar que, daqui para frente, sempre que nos referirmos ao São Cosme e São Damião, estaremos também nos referindo a Doum, Erês, Ibejís. E sempre que nos referirmos aos Cosmes, estaremos nos referindo a: (Cosme, Damião, Doum, Erês, Ibejís). Os Cosmes, Erês, Ibejís, são espíritos infantis que, ao incorporarem em seus médiuns, trazem lembranças de quando encarnados e desencarnados como crianças. São meigos, inocentes, ingênuos, graciosos, faceiros, brincalhões e infantis e por esses motivos não riscam ponto quando estão incorporados. E por isso, a maioria das pessoas prefere se tratar com essas crianças, pois são espíritos evoluídos e de muita luz e entendem de qualquer assunto, amor, negócios, trabalho, saúde, magias, feitiços etc. A um ditado de umbanda que diz. “O que os filhos das trevas fazem, qualquer criança desfaz. O que a criança faz (no sentido do bem, é claro) ninguém desfaz ou interfere”. São capazes de defender o seu médium ou alguém que os procurem, da pior coisa que possa existir material ou espiritual, na terra ou no astral, o que prova que esses Cosmes, Erês, Ibejís, mesmo com suas brincadeiras, têm muita força e que não são tão ingênuos como muitos pensam. E, como os Exus, se não forem bem cuidados e tratados, podem atrapalhar os trabalhos, rituais e oferendas de qualquer pessoa com suas brincadeiras infantis, desvirtuando a concentração do médium ou da pessoa que for realizá-lo. Com suas purezas espirituais tão grandes, não cansam de dizer aos consulentes que a única forma de vencer é que eles sejam puros. E quando estão incorporados nos terreiros, mesmo durante perguntas, consultas, conselhos, passes, pedidos de proteção, pedem todos os tipos de guloseimas, refrigerantes, sucos e brinquedos próprios de criança. Comem e distribuem doces e balas como proteção aos participantes e brincam e brigam entre si, e com as crianças presentes, e até mesmo com os adultos. A gira vira uma alegria só entre brincadeiras e traquinices. Em quase todos os terreiros brasileiros os chefes costumam deixar uma ou duas entidades adultas incorporadas em seus médiuns na hora da gira dos Cosmes. Na maioria das vezes são elas Ogum ou Iansã (não obrigatoriamente) que ficam munidas com uma espada de São Jorge ou espadas de Santa Bárbara (planta), ou uma vara de marmelo, para melhor controlar e colocar ordem nos Cosmes, tendo as entidades até que ameaçá-los com as espadas como se fossem surrá-los, para que se aquietem e não cometam tanta macaquice e desordem no local. Com exceção das que tem pouca idade e que ficam nos cantos do salão, ou local da gira brincando quietinhas e só olhando os outros aprontarem. Isso tudo é o que acontece durante uma gira de Cosme e Damião, e que podemos definir em três palavras: Pureza, Inocência e Alegria. Encerro esperando que o que será exposto nesta obra seja o suficiente para repensarmos melhor, e até mesmo trazermos de volta para os terreiros de Umbanda esses Cosmes, Erês e Ibejís, que são entidades que cuidam das nossas crianças, protegendo-as e encaminhando-as, desde o nascimento até a adolescência, procurando levá-las sempre para o caminho do bem. As crianças de hoje são o futuro do amanhã! Salve Cosme e Damião e Doum! Salve os Erês! Salve os Ibejís!

Por: Evandro Mendonça

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