quarta-feira, 14 de setembro de 2016

ARSENAL DE UMBANDA (Evandro Mendonça)



Irmãos, simpatizantes, leigos, iniciantes ou médiuns da religião de Umbanda e sua Linha de Esquerda, Desde a data 15 de novembro 1908, considerada pelos umbandistas a sua fundação em solo brasileiro, há na Religião de Umbanda muitas divergências na sua origem, como cultuar, materiais, usar ou não tambor, e outras divergências muitas vezes dos seus próprios médiuns, principalmente em relação à data de fundação, por alguns dizerem que a Umbanda já existia anteriormente. Como todos sabem, há em nossos estados muitos terreiros de Umbanda pura e também aqueles que se dizem cruzados, cultuando a religião de Umbanda de diferentes formas e maneiras e usando diferentes materiais nos seus trabalhos ou rituais de Umbanda. Muitasvezes esses materiais são diferentes apenas no nome, em razão do estado em que está localizado o terreiro. Como a Umbanda ainda não tem uma codificação dos seus trabalhos, rituais e materiais utilizados nos seus terreiros, tomamos a liberdade de fazer uma coletânea de nomes, materiais, símbolos, instrumentos, significados e utilização dentro dos terreiros de Umbanda. Em virtude da força da Umbanda ser muito grande e dividida em várias linhas, por exemplo, Umbanda Pura, Umbanda Branca, Umbanda Cruzada, Umbanda Esotérica, Umbanda Espírita, Umbanda Oriental, Umbanda Kardecista etc., ela é praticada em várias cidades, capitais, estados e até mesmo em diferentes países, por isso não temos como citar a imensidão de todos os materiais e rituais utilizados em suas práticas, inclusive por falta de conhecimento de muitos que são praticados dentro dos terreiros de Umbanda e sua Linha de Esquerda. Portanto, esses são apenas a minoria dos tradicionais utilizados no dia a dia dentro da maioria dos terreiros de Umbanda. Quero deixar claro a todos os irmãos Umbandistas que nessa coletânea estamos expondo nomes, materiais e instrumentos usados não só nos terreiros de Umbanda Pura, como também nos terreiros de Umbanda Cruzada. Com a melhor das intenções, esperamos com esse trabalho colaborar com o acervo da Umbanda para que futuros médiuns possam usufruir do mesmo. A religião de Umbanda está crescendo em disparada em todas as nossas cidades, estados e até mesmo fora do Brasil. Baseado nesse acontecimento, cremos na necessidade de mostrar um pouco mais sobre os materiais usados nos terreiros de Umbanda, principalmente para esses novos terreiros que estão abrindo. Como já disse anteriormente, há muitas diferenças nos nomes, rituais, magias, oferendas e trabalhos realizados dentro dos terreirosde Umbanda. Por isso, tentaremos mostrar nessa obra como são chamados alguns diferentes nomes que tem o mesmo significado dentro da Umbanda. Mas se houver, por parte de algum irmão mais intelectualizado sobre a religião de Umbanda, alguma divergência sobre algum nome, material, instrumento, significado ou utilização do mesmo, além dos que não foram citados, peço que me perdoe. Pois entre um aluno e um professor sempre haverá diferenças, porém, enquanto eu estiver encarnado nesse plano, vou me considerar sempre um aluno em todos os sentidos, e direcionar tudo o que aprendi aos irmãos que também se consideram alunos. Não me considero o dono da verdade, e encontramo-nos em estados com diferentes culturas, e volto a repetir, como todos os irmãos sabem, a Umbanda ainda não possui uma codificação, e enquanto isso não acontecer, temos que ajudar uns aos outros, mesmo com erros e acertos. Só assim conseguiremos levantar ainda mais o nome da religião de Umbanda e poderemos dizer que somos irmãos e verdadeiros Umbandistas. Vamos dar um basta ao orgulho, egoísmo e ambição. Vamos nos reconciliar por dentro, com nossos irmãos, com a nossa cidade, país, com o mundo, porque no final das contas veremos que somos todos aprendizes da vida, da fé e das religiões. A Religião de Umbanda, uma Entidade de Umbanda, um ponto riscado, uma erva, uma oferenda, não é e não pode ser exclusividade de ninguém, isso tudo pertence a quem praticar. Então, meus irmãos, em vez de criticar os humildes trabalhos dos outros irmãos, vamos nos unir e fazer como os espíritos, guias e protetores de Umbanda fazem na aruanda. “Com aqueles que sabem mais vamos aprender, e com aqueles que sabem menos vamos ensinar.” Assim, juntos aprenderemos e ensinaremos sem críticas ou preconceito algum.Vamos compartilhar conceitos e dividir experiências do dia a dia em nossos terreiros de Umbanda, afinal de contas, um só médium e uma só entidade não pode saber tudo. Essas divergências ou diferentes formas de se cultuar a Umbanda dentro dos terreiros devem nos unir e não nos separar, pois como todos sabem quando chega a noite a lua aparece e brilha para todos os terreiros, e quando chega o dia, o sol também aparece e brilha para todos os terreiros de Umbanda sem distinção alguma, nem de quem sabe mais ou nem de quem sabe menos. O Umbandista que não presta a caridade, não ajuda os seus irmãos, e as outras pessoas até mesmo com uma palavra, não divide seus conhecimentos e experiências, não se preocupa com os menos informados e favorecidos, não ensina e não se interessa pelo futuro da Umbanda, não tem o direito de pedir alguma coisa aos Orixás, Guias e Protetores de Umbanda, e, será que estes têm obrigação de atender os seus pedidos? Pense nisso! Que Oxalá nos abençoe com paz, saúde, felicidade, prosperidade, e que o povo da esquerda nos guie e nos indique a direção certa, abrindo todos os nossos caminhos materiais e espirituais para quando deixarmos essa vida, possamos fazê-lo com a certeza de vitórias e conquistas para as vidas futuras. Espero mais uma vez, humildemente e sem pretensão alguma a não ser ajudar, estar com este trabalho colaborando com os meus irmãos umbandistas, principalmente com os iniciantes na religião de Umbanda. Acreditamos e aceitamos que a Religião de Umbanda e seus médiuns têm que evoluir. Jamais devemos deixar de ser uma religião com características e preceitos que atinjam todos os espíritos encarnados e desencarnados e todas as camadas, principalmente as mais simples e populares, caso contrário, não é Umbanda.Certo guru ensinou para um discípulo, que se sentia deprimido frente às dificuldades da existência: “Deves ver-te como de fato és: um espírito em roupagem terrena. A verdadeira pessoa, o “Eu” que és, não é esse teu corpo, como eu não sou este meu corpo – coisas frágeis e sofredoras. Somos espíritos imortais e divinos. Fortes e indestrutíveis. Sempre tendentes a melhorar, a aperfeiçoar, a apurar nossas qualidades. Estamos nesse momento em missão aqui na terra, que não sabemos qual seja, mas que fatalmente será para o nosso bem.” 

Por: Evandro Mendonça

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