quinta-feira, 15 de setembro de 2016

ORIXÁS - SEGURANÇAS, DEFESAS E FIRMEZAS (Evandro Mendonça)



Caro leitor, esta é mais uma obra que tem apenas o humilde intuito de somar a nossa Religião Africana. Espero com ela poder compartilhar com meus irmãos e simpatizantes africanistas um pouco mais daquilo que vi, aprendi e escutei dos mais antigos Babalorixás, Yalorixás e Babalaôs, principalmente do meu Babalorixá Miguel da Oyá Bomí. São ensinamentos simples, antigos, porém repletos de fundamento e eficácia na Religião Africana; alguns até mesmo já esquecidos e não mais praticados nos terreiros devido ao modernismo dos novos Babalorixás e Yalorixás e suas vontades de mostrar luxúrias, coisas bonitas e fartas para impressionar os olhos alheios. Além de serem de baixo custo para manter sempre no altar ou nos assentamentos dos Orixás, como defesa, segurança, firmeza ou até mesmo como trabalhos ou oferendas, esses apetés, calços, cabeças, ecós e olhos dos Orixás hoje são desprezados por muitos iniciantes na Religião Africana que os julgam desnecessários. Eles não sabem que a força de um Orixá não está na grandeza de uma oferenda farta ou na luxúria, e sim no fundamento e na ciência de como é feita e oferecida a oferenda ou o trabalho. Às vezes sou criticado por ensinar em livros certos trabalhos e rituais que muitos consideram segredos da Religião Africana. Ora, meus irmãos, tenho certeza de que aqueles que me criticam o fazem porque têm medo de um livro básico da Religião Africana, que é o mínimo que deveriam saber e ensinar para seus filhos a fim de que a nossa religião não desapareça com os anos, junto com seus Axés.Ainda em relação a quem me critica, gostaria muito de saber até que ponto vai seus fundamentos e conhecimentos africanistas para que tenham tanto medo de um livro que só vem somar, trazer cultura e conhecimento para os adeptos da Religião Africana, principalmente os novos. Além disso, qualquer ser humano por mais inocente que seja sabe que ler é cultura, mesmo que seja um pedaço de jornal velho. Saibam esses que me criticam que toda crítica é construtiva e, quanto mais as recebo, mais construo em cima delas para ajudar e favorecer meus irmãos africanistas. Por isso, adoro críticas, elas criam dúvidas, fazem-no pensar e buscar conhecimentos, pois, assim, sou eu e serei até os últimos dias da minha vida. Na maioria das vezes pratico até mesmo a autocrítica. Sou bastante repetitivo nas minhas obras porque acredito que quanto mais se repete mais se aprende. Procuro sempre utilizar uma linguagem simples e fácil de entender para que meus irmãos de menos cultura compreendam, entendam e aprendam melhor tudo que está escrito nesta e em outras obras minhas. Como o nome do local onde estão os assentamentos dos Orixás muda de um estado para o outro, no decorrer desta obra, toda vez que citar Altar dos Orixás estarei me referindo a Quarto de Santo, Peji, Congal, Santuário, Assentamentos dos Orixás entre outros. Além disso, todo o conteúdo desta obra pode ser praticado por médiuns, leigos e iniciantes na Religião Africana e pelos mais diversos segmentos religiosos, independentemente de cor ou raça, mas que, sem sombra de dívida, tenham fé nos Orixás. Entre eles, diversas nações africanas sobre as quais foram feitas diversas pesquisas, estudos e comparações para que pudéssemos fazer um trabalho que servisse a todos (nagô, cabinda jejé, ijejá, candomblé, oyó etc.), desde que não envolva sacrifícios de animais (corte) – a não ser que a pessoa a realizar esse ritual tenha bastante conhecimento e seja devidamente preparada para tal fim, entre elas Pai de Santo, Mãe de Santo, Babalorixá, Yalorixá, Babalaô etc. Também não se esqueçam de que o resultado de cada trabalho ou oferenda depende muito do sacrifício, fé e merecimento de cada um. Por isso, antes de qualquer trabalho, ritual ou oferenda, é sempre bom refletir bastante sobre sua conduta, vida, seu modo de viver e agir perante seus irmãos. Depois, é preciso fazer uma reforma íntima que com certeza o ajudará muito no seu objetivo desejado. Não há necessidade de fazer e manter semanalmente todos esses Apetés, Calços, Cabeças, Ecós e Olhos, apenas alguns, que podem variar de vez em quando. Alguns Orixás possuem as mesmas variedades e formas de apetés, ecós, calços, olhos e cabeças, outros têm mais do que outros, já que são Orixás de frente, outros de guerra, de rua, de mato, de praia, de mar etc. Em outras palavras, alguns são Orixás de pontos de força diferentes e outros são os Orixás maiores. Esses apetés, ecós, calços, olhos, mãos e cabeças são oferendas, comidas, agrados, entre outros que costumamos oferecer aos Orixás. Eles também são muito usados em formas de trabalhos, seguranças, firmezas, defesas e rituais para os nossos Orixás, para que possam nos ajudar e nos defender das coisas ruins do dia a dia. Tenho certeza de que, se você os adaptar ou usá-los seguidamente em casa ou no terreiro, sua situação irá melhorar muito em todos os sentidos. Como não desejo estender muito esta introdução, gostaria de deixar mais alguns lembretes que considero importantíssimos: ▶▶Não esqueça: você tem o livre-arbítrio para fazer ou não qualquer oferenda, trabalho ou ritual para os Orixás desta obra. Se será atendido, dependerá da sua fé, conduta e merecimento. Além disso, é de sua responsabilidade tudo o que fizer, oferecer ou pedir aos Orixás. ▶▶Se você for um Pai de Santo, Mãe de Santo, Babalaô, Babalorixá, Yalorixá entre outros, feito e pronto na Religião Africana, independentemente da nação, e de posse de todos os Axés, principalmente obé (faca), com certeza está apto e, caso queria, pode acrescentar nesses trabalhos, rituais, seguranças, firmezas, calços, apetés, ecós e oferendas uma ave do tipo e da cor de acordo com a sua nação africana e o Orixá a que for destinado. ▶▶O procedimento do corte e o destino dos animais devem estar de acordo com a sua nação africana (jejé, nagô, ijejá, oyó, cabinda, candomblé etc.), o restante segue como de costume, como será ensinado posteriormente. Mas, veja bem, o corte só é válido e usado por pessoas devidamente preparadas e que cultuam os Orixás pelo lado africano (acima citados) e não pelo lado de Umbanda em que não se pratica qualquer tipo de sacrifício de animais aos seus Orixás. ▶▶As quartinhas, guias, correntes ou qualquer material físico usados nos trabalhos ou oferendas devem obrigatoriamente ser lavados com mieró (amací) antes de ser utilizados. ▶▶Como é meu costume lembrar em cada obra escrita por mim e com o auxílio de minhas Entidades, tenha muito cuidado com as velas, materiais, vasilhas e utensílios utilizados em oferendas, arriados ou despachados nos pontos de força da natureza que possam prejudicar, danificar, comprometer e até mesmo sujar o nosso planeta. Procure sempre utilizar materiais que se decomponham facilmente no tempo. Que esses poderosos Orixás tenham misericórdia de cada um de nós e derramem suas bênçãos sobre a nossa vida e nosso lar para que possamos ter mais sorte, saúde, felicidade, prosperidade, encaminhamento, força, luz e caminhos abertos. Um abraço fraterno a todos os meus irmãos. Axé!

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