segunda-feira, 7 de novembro de 2016

COMPADRES E COMADRES - SETE HISTÓRIAS DE EXUS E POMBOGIRAS (Ademir Barbosa Júnior)



Na primeira semana de novembro chega às livrarias o livro “Compadres e comadres – Sete Histórias de Exus e Pombogiras” (Sattva Editora, 84 páginas), 60º. livro de Ademir Barbosa Júnior (Pai Dermes de Xangô).

Dermes é autor de vários livros premiados que vão da poesia e do infantil aos trabalhos sobre as religiões tradicionais de terreiro (Orixás, Guias, Guardiões, Umbanda, Candomblé etc.). Três de seus livros saem ainda este ano pela editora portuguesa Estampa. Além disso, Dermes assina 38 revistas especializadas (Língua, Literatura, Redação, Terapias Holísticas e outros temas.

“Compadres” e “Comadres” são formas carinhosas e populares com que são tratados nos terreiros de Umbanda Exus e Pombogiras. “No que tange às religiões tradicionais de terreiro, a maior incompreensão talvez seja com as linhas de trabalhos de Exus e Pombogiras, os quais não tiram nada de ninguém, não separam casais, não trazem desgraça. São agentes de luz nas trevas. Infelizmente muitos segmentos religiosos chamam espíritos não esclarecidos de Exus e Pombogiras”, explica o autor.

As sete histórias que compõem o livro tratam de resgates, de novas oportunidades, não apenas para os encarnados, mas para os próprios espíritos que compõem a chamada Linha da Esquerda na Umbanda. Dentre as narrativas, destaca-se a comovente história de um Exu Mirim. 

“Trata-se de obra de ficção, não de psicografia, mas quase a totalidade do livro foi ditada, como uma mensagem de esperança e regeneração. Somos todos aprendizes. Ora, se Deus é amor, como negaria o perdão e a oportunidade do recomeço? Ademais, se a religião é voltada para o bem, como na Umbanda haveria espíritos que fazem o mal, em vez de, enquanto evoluem, ajudar o próximo a também evoluir?”, esclarece o autor.

“Compadres e comadres – Sete Histórias de Exus e Pombogiras” é o primeiro livro publicado pela recém-fundada Sattva, dirigida pela experiente editora Vivian Lerner. 

O autor é um dos dirigentes da Tenda de Umbanda Iansã Matamba e Caboclo Jiboia (TUIMCAJ), presidida por sua esposa, a escritora e blogueira Mãe Karol Souza Barbosa. É Mestre em Literatura Brasileira pela USP, onde se graduou em Letras, professor e terapeuta holístico. Já coordenou fóruns, eventos, festas públicas e outros, congregando Umbanda, Candomblé, Pastoral Afro (Igreja Católica), MPB, Ioga, Dança do Ventre e outros segmentos. É presidente da Associação Brasileira de Escritores Afro-religiosos (Abeafro). Nasceu em Piracicaba – SP, no dia 02 de agosto de 1972. Recebeu o Troféu Abolição – Instituto Educacional Ginga (Câmara Municipal de Limeira, 27 de julho de 2012); o Diploma Cultura de Paz – Fundação Graça Muniz (Salvador, 07 de março de 2013); o Diploma Zumbi dos Palmares (Câmara Municipal de Campinas, 20/11/2014) e o Troféu 1º. Jovens do Axé (Câmara Municipal de São Paulo, 07/10/2015). Em 2014 presidiu o Fórum Internacional de Umbanda, em Leiria, Portugal. É presidente da Associação Brasileira de Escritores Afro-religiosos (Abeafro). Recebeu o Troféu Abolição – Instituto Educacional Ginga (Câmara Municipal de Limeira,2012); o Diploma Cultura de Paz – Fundação Graça Muniz (Salvador, 2013); o Diploma Zumbi dos Palmares (Câmara Municipal de Campinas, 2014) e o Troféu 1º. Jovens do Axé (Câmara Municipal de São Paulo, 2015). Em 2014 presidiu o Fórum Internacional de Umbanda, em Leiria, Portugal. Em 2015 foi nomeado vice-presidente do Fórum Catarinense de Umbanda e foi um dos palestrantes do 1º. Simpósio On-line de Umbanda.

Trecho do livro:

“No astral, ajudo num hospital para onde vão mulheres que desencarnam queimadas, estupradas, cortadas. Sabia, moço, que a maioria delas se sente culpada, acha que fez algo errado e que os homens são inocentes, que elas provocaram a violência? Não é triste ver essas mulheres assim, duplamente violentadas. Aqui na sua cidade aconteceu o desencarne de uma moça queimada com ácido e depois esfaqueada, o moço deve conhecer. Ela está reconstituída, linda, plasmada em espírito como a linda mulher que era em terra. O noivo achava que ela tinha vários amantes e ela era fiel. Mesmo que tivesse, moço, isso não lhe daria o direito de fazer o que fez com ela. Por nada nesse mundo. O pior é que ele, sim, tinha várias. Não à toa foi morto por um cafetão descontente, que o achava prosa demais. Sabe quem o recebeu do lado de cá?  A noiva que ele assassinou. Linda, curada, cheia de misericórdia e compaixão, o que ele, encarnado, nunca teve com ela.” (“Sete Saias do Cabaré”, p. 48)

Por: Ademir Barbosa Júnior

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