segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O LIVRO DE OURO DOS ORIXÁS (Ademir Barbosa Júnior)



Introdução

(Algumas considerações pessoais do autor, sempre em consonância e em respeito à diversidade de conceitos na Umbanda, presente em todos os seus livros, inclusive neste)

A Umbanda cultua e trabalha com Orixás. Não são “caboclos ou falangeiros” de Orixás, mas os próprios, que se manifestam de vários modos, inclusive mediunicamente por meio da incorporação. Nunca encarnaram e pertencem a um grau de adaptação aos encarnados e aos indivíduos em que incorporam, evidentemente tendo ainda de baixar seu alto padrão vibratório para tal. Ora, quando alguém migra do Candomblé para a Umbanda ou vice-versa, por exemplo, o Orixá que o assiste e/ou incorpora muda? Não e por várias razões. Uma delas é porque o Orixá de Umbanda também é doutrinado, assentado etc., de modo que os elementos materiais facilitem e sustentem energeticamente a ação espiritual.

A ação dos Orixás é universal. São forças da natureza e, ao mesmo tempo e em muitos graus e níveis, espíritos individualizados de alto grau e que nunca encarnaram. Vários povos os cultuam de maneiras diversas, com outros nomes, mas a semelhança, sem dúvida, salta aos olhos. O desenvolvimento e a doutrinação dos Orixás que trabalham em terra é que os fazem falar ou não; falar em português ou em iorubá ou outra língua africana; mover-se de tal ou qual forma; beber e fumar ou não.

Há regências específicas de Orixás, como as anuais, contudo, ao contrário do que muitos sustentam, não incidem apenas sobre iniciados em cultos de Nação. Ora, se a ação dos Orixás é universal, assim como toda maneira e/ou egrégora, tal qual o Zodíaco ou o Horóscopo Chinês, como a Espiritualidade poderia privilegiar um filho ou um poço em detrimento de outros? Vale lembrar que a ação dos Orixás é universal, não uma pequena chuva a cair apenas sobre a cabeça de quem está sem guarda-chuva e, mesmo que incidisse apenas sobre quem os reconhece e cultua desta ou daquela maneira, isso não caberia, então, apenas aos Cultos de Nação, mas também a outras religiões, como a própria Umbanda.

*

Em algumas das religiões mais tradicionais, notadamente as cristãs, a questão de gênero é bastante desfavorável para mulheres, homo e transexuais. A queda da humanidade se dá por iniciativa do feminino (Eva) enquanto o resgate ocorre por uma mulher que a tradição dessexualizou (Maria). Lilith, a primeira esposa de Adão, a que escolhia “ficar por cima” no ato sexual não aparece nos cânones. Bruxas (mulheres sábias) foram queimadas. Oficialmente Deus é masculino.

Embora parte do Cristianismo não aceite esses princípios (o Papa João Paulo I afirmou que Deus, mais do que Pai, é Mãe; a Igreja Anglicana, de forma mais acolhedora, abençoa casais homoafetivos; o Papa Francisco tem avançado no diálogo com homossexuais e aberto a possibilidade de ordenar mulheres), é comum ouvir entre seminaristas católicos romanos que algo mal feito “é coisa de freira”.
A Umbanda seria diferente? Enquanto os Cultos de Nação, em sua origem, eram verdadeiros matriarcados, nos quais apenas as mulheres incorporavam Orixás (o que não deixava de ser uma forma de afirmação do feminino, mas também de exclusão), célebre autor umbandista afirmou que não existe dirigente espiritual legítima do sexo feminino. Por outro lado, na Umbanda, tem sido cada vez mais forte a presença de Ogãs (sim, Ogãs, e não “atabaqueiras”) do sexo feminino. Tanto na Umbanda quanto nos Cultos de Nação é forte a presença de irmãos homo, bi, trans etc.

Contudo, ainda existem certos tabus na Umbanda, nos quais geralmente o machismo e o patriarcalismo passam despercebidos. Ou nem tanto. Enquanto, por exemplo, Ogum fuma e bebe, o mesmo é visto como algo estranho se for feito por Iansã. Por quê? Pela mesma lógica em que se aceita o corte nos abatedouros e nos açougues, e não nas casas de Culto de Nação e nos templos umbandistas onde o corte é fundamento. Ou seja, lógica nenhuma. Se o fumo e a bebida são fundamentos de uma Iabá, como o são para um Aborô, procure-se compreender o porquê da utilização dos mesmos.
Eu me orgulho de ter sido levantado Pai Pequeno por uma Iansã Matamba que fuma e bebe. E também me orgulho de, como Pai Pequeno, ter podido levantar sua filha, em seus cinco anos como dirigente espiritual. A mesma Iansã Matamba me levantará Pai Maior em agosto de 2016. Sua filha é minha esposa, outro tabu na Umbanda (como diz Mãe Karol, se somos todos irmãos, então vivemos todos em incesto espiritual ao consagrar alguém, abençoar, oferecer sacramentos?). Aliás, a Umbanda, uma religião que tem fundamento, como se canta em vários de seus pontos, tem apresentado nos últimos anos uma velha novidade: o dogma. É o dogma que não permite o levantamento acima citado, é o dogma que afirma que alguém só pode ser dirigente espiritual se incorporar, é o dogma que, por outro lado, desconsidera o apontamento espiritual para a dirigência e sugere que todos devem abrir templos, mesmo sem o resguardo da espiritualidade, é o dogma que diz que Iansã não pode beber e fumar.

Pelo fato de a Iansã Matamba que rege nossa casa beber e fumar (note-se: não é a única, inclusive em Santa Catarina), chegamos a ser apontados como marmoteiros e até expulsos de uma federação de Umbanda e Candomblé (estranho não terem se importado com a casa de Balneário Camboriú). Tenho orgulho disso (“disso”: dos fundamentos da casa e também da expulsão de uma instituição que prima por politicagem e não pela espiritualidade e pelo direito do Povo de Axé). Irmãos que já comeram e beberam (e muito!) em nossa casa fala mal de Mãe Iansã. Mas eu não vi até hoje algum desses irmãos boquirrotos, macho ou fêmea, que tivessem a coragem e a ousadia de perguntar à própria Iansã, à sua médium, a este Pai ou a qualquer filho da casa o porquê do fumo e da bebida como fundamentos dessa Iabá. Sabem por quê? Porque o machista e patriarcal teme mulher de cabeça erguida, ainda mais de espada na mão, como é Oxum Apará, como é Kayala e, sobretudo, como é Iansã.
E que bons ventos cheguem às cabeças ocas!

Axé!

*

Orixá é Amor Verdadeiro, e Amor Verdadeiro nunca faz mal.

Orixás, Guias e Guardiões caminham conosco na expectativa de que nós também caminhemos com eles.

Ademir Barbosa Júnior

Orixás na Umbanda

Etimologicamente e em tradução livre, Orixá significa “a divindade que habita a cabeça” (em iorubá, “ori” é cabeça, enquanto “xá”, rei, divindade), associado comumente ao diversificado panteão africano, trazido à América pelos negros escravos.  A Umbanda Esotérica, por sua vez, reconhece no vocábulo Orixá a corruptela de “Purushá”, significando “Luz do Senhor” ou “Mensageiro do Senhor”.

Cada Orixá relaciona-se a pontos específicos da natureza, os quais são também pontos de força de sua atuação. O mesmo vale para os chamados quatro elementos: fogo, terra, ar e fogo. Portanto, os Orixás são agentes divinos, verdadeiros ministros da Divindade Suprema (Deus, Princípio Primeiro, Causa Primeira etc.), presentes nas mais diversas culturas e tradições espirituais/religiosas, com nomes e cultos diversos, como os Devas indianos. Visto que o ser humano e seu corpo estão em estreita relação com o ambiente (o corpo humano em funcionamento contém em si água, ar, componentes associados à terra, além de calor, relacionado ao fogo), seu Orixá pessoal tratará de cuidar para que essa relação seja a mais equilibrada possível. Tal Orixá, Pai ou Mãe de Cabeça, é conhecido comumente como Eledá e será responsável pelas características físicas, emocionais, espirituais etc. de seu filho, de modo a espelhar nele os arquétipos de suas características, encontrados nos mais diversos mitos e lendas dos Orixás. Auxiliarão o Eledá nessa tarefa outros Orixás, conhecidos como Juntós, ou Adjuntós, , conforme a ordem de influência, e ainda outros. 

Na chamada coroa de um médium de Umbanda ainda aparecem os Guias e as Entidades, em trama e enredo bastante diversificados (embora, por exemplo, geralmente se apresente para cada médium um Preto-Velho, há outros que o auxiliam, e esse mesmo Preto-Velho poderá, por razões diversas, dentre elas missão cumprida, deixar seu médium e partir para outras missões, inclusive em outros planos). De modo geral, a Umbanda não considera os Orixás que descem ao terreiro energias e/ou forças supremas desprovidas de inteligência e individualidade. Para os africanos (e tal conceito reverbera fortemente no Candomblé), Orixás são ancestrais divinizados, que incorporam conforme a ancestralidade, as afinidades e a coroa de cada médium. No Brasil, teriam sido confundidos com os chamados Imolês, isto é, Divindades Criadoras, acima das quais aparece um único Deus: Olorum ou Zâmbi. Na linguagem e na concepção umbandistas, portanto, quem incorpora numa gira de Umbanda, segundo alguns segmentos não são os Orixás propriamente ditos, mas seus falangeiros, em nome dos próprios Orixás, ou, conforme outros segmentos, Orixás sim, contudo com um nível hierárquico mais abaixo. A primeira concepção está de acordo com o conceito de ancestral (espírito) divinizado (e/ou evoluído) vivenciado pelos africanos que para cá foram trazidos como escravos. Mesmo que essa visão não seja consensual (há quem defenda que tais Orixás já encarnaram, enquanto outros segmentos umbandistas – a maioria, diga-se de passagem – rejeitam esse conceito), ao menos se admite no meio Umbandista que o Orixá que incorpora possui um grau adequado de adaptação à energia dos encarnados, o que seria incompatível para os Orixás hierarquicamente superiores. Na pesquisa feita por Miriam de Oxalá a respeito da ancestralidade e da divinização de ancestrais, aparece, dentre outras fontes, a célebre pesquisadora Olga Guidolle Cacciatore, para quem, os Orixás são intermediários entre Olórun, ou melhor, entre seu representante (e filho) Oxalá e os homens. Muitos deles são antigos reis, rainhas ou heróis divinizados, os quais representam as vibrações das forças elementares da Natureza – raios, trovões, ventos, tempestades, água, fenômenos naturais como o arco-íris, atividades econômicas primordiais do homem primitivo – caça, agricultura – ou minerais, como o ferro que tanto serviu a essas atividades de sobrevivência, assim como às de extermínio na guerra. 

Entretanto, e como o tema está sempre aberto ao diálogo, à pesquisa, ao registro de impressões, conforme observa o médium umbandista e escritor Norberto Peixoto, é possível incorporar a forma-pensamento de um Orixá, a qual é plasmada e mantida pelas mentes dos encarnados. Em suas palavras,  era dia de sessão de preto (a) velho (a). estávamos na abertura dos trabalhos, na hora da defumação. O congá ‘repentinamente’ ficou vibrado com o orixá Nanã, que é considerado a mãe maior dos orixás e o seu axé (força) é um dos sustentadores da egrégora da Casa desde a sua fundação, formando par com Oxóssi. Faltavam poucos dias para o amaci (ritual de lavagem da cabeça com ervas maceradas), que tem por finalidade fortalecer a ligação dos médiuns com os orixás regentes e guias espirituais. Pedi um ponto cantado de Nanã Buruquê, antes dos cânticos habituais. Fiquei envolvido com uma energia lenta, mas firme. Fui transportado mentalmente para a beira de um lago lindíssimo e o orixá Nanã me ‘ocupou’, como se entrasse em meu corpo astral ou se interpenetrasse com ele, havendo uma incorporação total. (...) Vou explicar com sinceridade e sem nenhuma comparação, como tanto vemos por aí, como se a manifestação de um ou outro (dos espíritos na umbanda versus dos orixás em outros cultos) fosse mais ou menos superior, conforme o pertencimento de quem os compara a uma ou outra religião. A ‘entidade’ parecia um ‘robô’, um autômato sem pensamento contínuo, levado pelo som e pelos gestos. Sem dúvida, houve uma intensa movimentação de energia benfeitora, mas durante a manifestação do orixá minha cabeça ficou mentalmente vazia, como se nenhuma outra mente ocupasse o corpo energético do orixá que dançava, o que acabei sabendo depois tratar-se de uma forma-pensamento plasmada e mantida ‘viva’ pelas mentes dos encarnados..

No cotidiano dos terreiros, por vezes o vocábulo Orixá é utilizado também para Guias. Nessas casas, por exemplo, é comum ouvir alguém dizer antes de uma gira de Pretos-Velhos: “Precisamos preparar mais banquinhos, pois hoje temos muitos médiuns e, portanto, aumentará o número de Orixás em terra.”

São diversas as classificações referentes aos Orixás na Umbanda. A título de exemplo, observe-se a tabela abaixo:

1. Orixás Virginais
Responsáveis pelo reino virginal.
2. Orixás Causais
Aferem carma causal
3. Orixás Refletores
Responsáveis pela coordenação da energia (massa).
4. Orixás Originais
Recebem dos três graus anteriores as vibrações universais.
5. Orixás Supervisores
Supervisionam as leis universais.
6. Orixás Intermediários
Senhores dos tribunais solares do Universo Astral.
7. Orixás Ancestrais
Senhores da hierarquia planetária.

Há também diversas classificações sobre os graus de funções dos Orixás, como a que segue abaixo: 

Categoria
Grau
Denominação
Orixá Maior
-
-
Orixá Menor
1º.
Chefe de Legião
Orixá Menor
2º.
Chefe de Falange
Orixá Menor
3º.
Chefe de Subfalange
Guia
4º.
Chefe de Grupamento
Protetor
5º.
Chefe Integrante de Grupamento
Protetor
6º.
Subchefe de Grupamento
Protetor
7º.
Integrante de Grupamento

Os Orixás conhecidos na Umbanda são os Ancestrais, subordinados a Jesus Cristo, governador do Planeta Terra. Os mais comuns na Umbanda são Oxalá, Obaluaê, Ogum, Oxossi, Xangô, Iansã, Iemanjá, Nanã, Oxum. Oxalá praticamente não incorpora na Umbanda, exceções feitas a determinados segmentos, porque se considera que todos são filhos de Oxalá e que os médiuns não têm o padrão vibratório adequado para incorporar esse Orixá. Muitos segmentos umbandistas apontam como principal a chamada Tríade do Coronário dos médiuns, isto é, Eledá (Pai ou Mãe de Cabeça) e Adjuntós. Outros preferem trabalhar um conceito quarternário: Pai e Mãe de  Cabeça, Padrinho e Madrinha. Aborô é Orixá de energia masculina, enquanto Iabá, de energia feminina. Metá-metá ou metametá é o Orixá de natureza dupla, que carrega a energia masculina e feminina, certamente também pela semelhança com o vocábulo português “metade”. Contudo, em iorubá, “méta-méta” significa “três ao mesmo tempo”. No caso, Logun-Edé, por exemplo, seria metá-metá porque traz em si a sua natureza, a do pai (Oxóssi) e a da mãe (Oxum).

Alguns dos Orixás apresentados neste livro não são cultuados diretamente na Umbanda ou isso acontece muito pouco.

Orixás pessoais compõem a banda visível e/ou invisível de um médium. Orixás (bem como Guias e Guardiões, na terminologia cotidiana dos terreiros) individualizados, que trabalharão com determinado médium, em fundamento e/ou manifestação explícita, em especial na incorporação, por meio da intuição e outros tantos meios.

Por: Ademir Barbosa Júnior

4 comentários:

  1. Pelo resumo aqui expresso, podemos antever a qualidade do livro. Parabéns a Ademir Barbosa Junior. Axé.

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  2. Uma dúvida.
    Ja que o livro fala que na umbanda é incorporado o orixa de fato e nao o falangeiro, porque um orixa iria beber ou fumar? Eles sao divindades, energia divina, nunca foram terrenos (como ele mesmo disse) nao sao como os guias que precisam de fumo e alcool para realizar os trabalhos terrenos e segurar incorporacao. Fora que orixa nao incorpora, ele manifesta, vem de dentro para fora. Quem incorpora é guia. Achei bem confuso e bem controverso.
    Outra coisa . A parte que diz que um orixa que manifesta na umbanda nao muda caso a pessoa mude para o candomblé. Quantas vezes ja aconteceu de darem oxossi para alguem e quando tiraram no buzios do candomblé era logunedé ...ou tantas outras ocorrencias. A umbanda vai sempre te dar o orixa mais proximo a sua energia, mas nem sempre é de fato aquele orixa que nasceu com voce e rege sua cabeça. No caso se a pessoa incorporava um falangeiro de oxossi na umbanda , quando ela entrar no candomblé e no ifa sair que é logunedé . O falangeiro de oxossi nao vem mais. Pois candomble nao trabalha com falangeiro.(seguindo o exemplo que citei) simples assim. A nao ser que a pessoa ja tenha se iniciado a oxossi (raspado). Entao vira o orixa puro oxossi. Mesmo no candomble. Mas nao se pode desfazer orixa , entao a pessoa teria que cultuar oxossi e logunedé tambem.

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    1. Cara irmã. O autor do livro não conseguindo deixar aqui o registro de sua resposta, me pediu para ajudá-lo postando o seguinte:
      Minha irmã,
      Agradeço os comentários sobre a resenha.
      Desculpe-me a brevidade, pois estou no intervalo de meu trabalho.
      1. Alguns Orixás usam fumo e bebida como fundamento. Cito especialmente Orixás feitos no segmento de Almas e Angola que se valem deste fundamento no caso de seus médiuns passarem para a Umbanda das Sete Linhas, onde não há corte.
      2. Não mudar o Orixá não é no sentido em que a irmã diz (trato disso no livro, sobre as energias afins), mas que Ogum continua a ser Ogum, sendo tratado de forma distinta, conforme o segmento em que trabalha agora.
      3. A respeito do aflorar do Orixá, é forma distinta de se referir ao fenômeno, que nada invalida o conceito de incorporação (a própria palavra, aliás, é inadequada, utilizada por aproximação).
      4. Respeito a beleza e a diversidade em todos os meus livros. Este é o primeiro, depois de mais de 70, em que respondo de forma sucinta, na introdução, o que é Orixá, aconselhado pela própria espiritualidade. Repito: respeito todos os segmentos, todas as vertentes, todas as religiões.
      Abraço, gratidão e Axé!
      O Autor - Ademir Barbosa

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